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  • 10 Exemplos de Erros de Empreendedores

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    Este post é uma continuação do post anterior, 10 Erros que Empreendedores devem evitar, se você não leu, clique aqui para ler, assim você vai entender melhor os exemplos que citarei abaixo. Sobre os exemplos, todos são baseados em fatos reais, algumas informações são fictícias para não expor os personagens, que são pessoas reais:

    1 – Oportunismo e Impulsividade

    Exemplo: Certa vez, encontrei com um amigo empreendedor que pediu notícias de minha família. Comentei que um membro de minha família havia ficado desempregado recentemente. Para minha surpresa, ele imediatamente tirou o celular do bolso e enquanto ligava para alguém confirmou o nome da empresa e o cargo em que ele trabalhava. E orientou a pessoa no celular, dizendo para procurar a empresa que havia uma vaga… 😳 

    Moral da história: Ele viu no desemprego do meu familiar uma oportunidade de emprego para outra pessoa. Foi oportunismo em minha opinião pois foi um exagero ligar na minha presença, fiz um comentário amigável e não esperava tal atitude.  Foi impulsividade, pois faltou um pouco de sutileza, poderia ter feito a ligação em outro momento, não precisava de fazer na minha frente, enquanto eu estava triste com o desemprego de alguém querido ele estava arrumando emprego para outra pessoa?! Faltou bom senso.

    2 – Teimosia e 3 – Aventureiro

    Exemplo: Um dos meus primeiros trabalhos como administradora autônoma foi elaborar um plano de negócio para verificar a viabilidade da abertura de uma empresa. Quando fui entregar o plano pronto, expliquei para o cliente que o resultado não foi favorável, que a empresa não era viável e que em dois anos, de acordo com os cálculos, ele perderia o valor investido, tendo prejuízo ao invés de lucro. O cliente ficou furioso, disse que eu não tinha experiência no mundo dos negócios, que eu não entendia nada dos negócios dele, que eu estava com pensamento de estudante e que aquele papel não ia fazê-lo desistir do sonho dele. 😥 Ele ignorou meu trabalho, montou a empresa e em dois anos exatamente fechou as portas, vendendo seu carro popular na ocasião para pagar o prejuízo. Coincidentemente (ou não) o valor do carro era o mesmo do investimento inicial que eu havia calculado há dois anos atrás.

    Moral da história: Persistência seria se o resultado do plano de negócios fosse favorável e, ao passar por um revés financeiro o empreendedor acreditasse nos cálculos e elaborasse estratégias para superar possíveis erros. Teimosia foi ver com clareza de que não daria certo, ignorar os fatos sem se quer replanejar, confiando apenas na sua “intuição para os negócios”, deu no que deu. Aventureiro ele foi por correr um risco literalmente não calculado, arriscando não só os dois anos que trabalhou reduzindo seu padrão de vida, passando aperto financeiro com pouca renda para cuidar de sua família, mas perdendo o seu carro para pagar dívidas, e dizem na praça que não pagou todas…

    4 – Perfeccionismo e 5 – Arrogância e Prepotência

    Exemplo: Já trabalhei com uma empreendedora perfeccionista ao extremo. Tudo dela tinha que ser perfeito, impecável, à começar pelo seu visual. Preocupa-se tanto com o visual que fazia as unhas em horário de trabalho. Mas, como ela mesmo dizia, ninguém tinha nada com isso, pois ela era a dona 😐 . Como ela era minha chefe direta, comecei a “ter medo” de falar com ela, pois nada estava bom o suficiente. Eu dava o meu máximo, fazia o meu melhor e, quando ia entregar o trabalho, ela conseguia achar um defeito. Dizia o tempo todo que era exigente. Um dia, a atendente da loja pediu demissão e não quis cumprir aviso, “deixou na mão”, segundo ela. Irritada, pediu que eu encontrasse outra com urgência. Eu disse que conhecia uma ótima atendente, que estava sem emprego pois a loja que ela trabalhava fechou. Para meu espanto, ela disse que não contratava ninguém que tivesse trabalhado em empresa que fechou, pois se a empresa fechou é porque faltou qualidade e eficiência  desta pessoa e que não queria que acontecesse o mesmo na empresa dela. A rotatividade na empresa e principalmente no  meu cargo, subordinada direta dela,  era enorme e comigo não foi diferente. Saí em pouquíssimo tempo, assim que tive oportunidade, sem nem terminar o contrato de experiência. Detalhe: a empresa já fechou há alguns anos.

    Moral da história: Infelizmente o exemplo é riquíssimo, podemos destacar vários defeitos. Perfeccionismo: por mais que os funcionários se dedicassem, ficavam desmotivados por não conseguir atingir o que ela chamava de excelência, quando na verdade exigia perfeição. A visão de qualidade e eficiência dela, ao meu ver estava um pouco distorcida: deixou de contratar uma atendente ótima, sem antes analisar seu currículo e entrevistá-la, julgando-a previamente como culpada pelo fechamento da empresa em que trabalhou. Arrogância e Prepotência: fazer as unhas em horário de trabalho e no local de trabalho, e ainda dizer que podia fazer por ser dona, além de ser um mal exemplo gerava constrangimento e indignação por parte dos funcionários, pois o ato demonstrava superioridade e contradizia a qualidade que ela mesmo exigia. A desmotivação e a insatisfação gerava a rotatividade e a empresa perdia talentos.

    6 – Especulação 

    Exemplo: Um casal de conhecidos, descobriu onde eu morava e apareceram na minha casa num domingo. Foram direto ao assunto, querendo informações sobre uma vaga de emprego na empresa em que eu trabalhava na época. A esposa estava interessada na vaga, mas o marido fazia tantas perguntas que por um momento pensei que o interesse do marido era maior que o da esposa. Eu disse que não estava sabendo da vaga, que se eu ia procurar saber e falaria com eles posteriormente. Mas a ânsia deles era tanta, que continuaram fazendo perguntas. Eu não tinha como responder nada pois não estava sabendo e não ia procurar saber num domingo. Expliquei então o que eu sabia da função que até onde eu sabia estava preenchida. Disse o cargo, algumas tarefas principais e horário de trabalho. Mas eles queriam saber mais como salário, benefícios, processo seletivo. Queriam me entregar um currículo que não peguei, expliquei que não funcionava assim e que quando a vaga fosse divulgada seria divulgado também sobre o recebimento de currículos. Para finalizar a conversa me perguntaram: você vai dar uma força, né? 😕 Na segunda-feira a noite me ligaram querendo saber se eu já tinha procurado saber sobre a bendita vaga… Até ontem não soube.

    Moral da história: Eu sinceramente não sabia de nenhuma vaga e de fato não havia nenhuma vaga, foi um boato. Não sei onde ouviram essa informação, mas se queriam confirmá-la, o correto seria ligar para o setor de departamento pessoal ou recursos humanos da empresa. Achei que faltou senso, me senti invadida. Eu dizendo que não sabia e eles insistindo em perguntar, como seu eu soubesse e não quisesse responder. Achei especulação, perguntar salário, benefícios e outras perguntas indiscretas…e me cobrar retorno no dia seguinte?! Querer me entregar currículo e ainda pedir uma força, soou para mim que não só queriam informações, mas que queriam informações privilegiadas. Infelizmente há empreendedores que fazem isso o tempo todo…

    7 – Manipulação

    Exemplo: A mesma empreendedora perfeccionista que citei anteriormente para quem trabalhei por pouco tempo (mas a experiência rendeu vários aprendizados, deu para perceber, né kk) mentiu para um funcionário e pediu que eu sustentasse sua mentira. Ele havia pedido conta, não tinha tirado férias e perguntou a ela se ele tinha direito de receber férias no seu acerto, e ela disse que não. Ele então disse que ia me perguntar, eu trabalhava no departamento pessoal e ela disse que era para eu inventar alguma coisa para justificar que não, que ela não queria pagar férias para ele. Ela dizia:”Você vai dizer que ele não tem direito!” E eu dizia: “Mas ele tem!” E a discussão não saia disso até que eu disse com convicção: Me desculpe, mas não vou mentir, se ele me procurar vou dizer que ele tem direito sim! 

    Moral da história: Claro que ela deu um jeito de não deixar ele falar comigo, se o manipulou, não sei. Mas a mim, ela não manipulou. Mas quis me manipular, me induzindo a mentir e a prejudicar alguém. Já contei esse caso várias vezes em sala de aula, isso me marcou muito. Muitos empreendedores usam de sua capacidade de argumentação, falta de conhecimento das pessoas e da confiança que as pessoas depositam nele para influenciar negativamente e ainda levar vantagens. Tenso!

    8 –  Obsessão e 9 – Frustração

    Exemplo: Um jovem inteligente com formação e experiência em uma área totalmente oposta ao ramo de negócio que escolheu para montar sua empresa, baseado apenas num motivo típico: viu que esse negócio dava dinheiro. Começou errado (caso para outro post), insistiu no erro. Submetia seus funcionários a trabalharem loucamente, fazendo horas extras e sem nenhuma qualidade no ambiente de trabalho, para atingir metas de produção inatingíveis que ele inventava sem nenhum parâmetro. Gritava e esbravejava com sua equipe quando ela não atingia suas metas malucas. Só falava na empresa dia e noite. Achava que todos eram obrigados a dar ideias para sua empresa. Achava que todos eram obrigados a ouvir falar da sua empresa. 🙄 Quem o via falar imaginava que a empresa era incrível, mas era incrivelmente fadada ao fracasso, só ele não via. A esposa grávida do primeiro filho, não aguentava mais ouvi-lo falar só da empresa e ignorar tudo a sua volta e pediu o divórcio, o que ele achou que não era bom para a empresa. Gastou economias de seu pai. Gastou o que tinha e não tinha. 

    Moral da história: Foi chamado de chato, foi chamado de louco, foi chamado de réu em vários processos trabalhistas e hoje é chamado de caloteiro. A empresa quebrou e ele sumiu do mapa devendo bancos, avalistas, credores, fornecedores, ex-funcionários e sabe Deus mais quem. Além de obcecado, foi teimoso, aventureiro e terminou frustrado em algum lugar desse mundão, provavelmente bem longe daqui.

    10 – Inflexibilidade

    Exemplo: Um empreendedor queria planejar um esquema para controlar o lanche de seus funcionários, pois alguns lanchavam mais de uma vez e outros ficavam sem. Ele fez um planejamento, fez uma planilha com o nome completo de cada um dos funcionários e os dias úteis do mês. A planilha teria que ser renovada todo mês, sendo impressa e deixada com o responsável pela distribuição dos lanches. Pediu ao seu auxiliar de escritório que elaborasse as fichas, imprimisse, recortasse, carimbasse, levasse para ele assinar e plastificasse. Eram cerca de 20 fichas para cada funcionário e o auxiliar levou o dia todo para fazer. Depois de tudo pronto, tudo planejado, o empreendedor convocou uma reunião rápida para explicar sobre como funcionaria o esquema das fichas. Um funcionário deu uma ideia: “Se o objetivo é controlar, cada funcionário pode entregar seu crachá ao lanchar, não havendo necessidade das fichas nem das planilhas.” 💡 A ideia era ótima, mas ele disse que agora não teria mais jeito, porque já estava tudo planejado e esse planejamento havia dado muito trabalho.

    Moral da história: O planejamento nesse caso foi um grande desperdício de tempo, a ideia era realmente melhor, era muito mais prático e pouparia tempo, trabalho e impressões todos os meses. Mas o empreendedor foi inflexível e não quis implementar a ideia pois isso implicaria em desconsiderar seu planejamento. Aceitar a nova ideia era o mesmo que concordar que seu planejamento foi inútil. “Deu ruim!”

    Espero que os exemplos nos ajude a perceber como tudo em excesso faz mal, como disse no post anterior. Empreendedores precisam estar atentos às suas atitudes e buscar desenvolver as características empreendedoras positivamente, sem levá-las para o lado obscuro.

    Se você já vivenciou algum exemplo semelhante, compartilhe nos comentários! 

    Até mais!

     

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