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  • Falando sobre TCC

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    Hoje vamos falar aqui de um assunto que não agrada à muitas pessoas: o temido TCC, Trabalho de Conclusão de Curso também conhecido como monografia (ou “monstrografia” como alguns acadêmicos costumam chamar, kk).

    Apesar de ser um assunto não muito agradável, é necessário ser tratado para estudantes, tanto de curso técnico, como de faculdade e de pós-graduação. Tanto que por não ser muito agradável, eu não pretendia falar do assunto tão imediatamente aqui, mas comentei sobre o blog com algumas pessoas do meu círculo de amizades e esse tema foi bem pedido, o que me fez mudar de ideia… queria falar do tema  no início do ano, para que o leitor que fosse produzir seu trabalho monográfico tivesse alguns meses de antecedência para se planejar e se organizar, enfim, para administrar a vida para fazer seu trabalho monográfico.

    Mas como alguns de nós brasileiros tem a mania de deixar coisas para resolver na última hora, vou atender os pedidos dos meus amigos desesperados que estão passando aperto para correr contra o tempo e entregar seus TCCs no final do curso!

    Se você está no mesmo barco que meus amigos, por favor, pare alguns minutos para ler este post e eu espero que lhe ajude. Se não, mesmo assim leia, pois pode ser que daqui um tempo você passe por isso!

    Confesso que não tenho muuuuito conhecimento sobre o assunto, mas tenho três experiências de trabalhos que fiz e alguns casos dos trabalhos que pude acompanhar dos meus alunos dos cursos técnicos e posso compartilhar com vocês! Afinal, falando de monografia, toda dica é bem vinda, não é verdade? Então vamos as dicas:

    1- Antecedência

    Me desculpem amigos desesperados que vão entregar suas monos já já, no caso de vocês este post “era para ontem”. E essa primeira dica também! Mas creio que vocês sentiram ou estão sentindo isso na pele… Caros leitores, se não trabalharmos com a antecedência, teremos que trabalhar com a urgência! Então por experiência própria, assim que receberem as primeiras orientações sobre como será o trabalho de conclusão de curso de vocês, já contem quanto tempo falta para entregar e apresentar o trabalho. Na minha faculdade, já recebi as orientações iniciais no primeiro dia de aula, ou seja, com quatro anos de antecedência. Eu comecei de fato a produção da mesma com um ano e alguns meses de antecedência e  ficou pronto um mês antes do prazo. Mas lição aprendida: começaria antes, na metade do curso já está de bom tamanho, se sua realidade é de um estudante multitarefa, como foi meu caso nas três produções que fiz. Se você fica por conta de estudar, creio que seis meses de dedicação está de bom tamanho.

    2 – Prioridade

    Nossa vida é feita de prioridades, em algumas ocasiões precisamos fazer escolhas. Conte quanto tempo você tem para entregar seu trabalho e quanto tempo por dia ou por semana você vai dedicar para sua produção e coloque seu trabalho monográfico como prioridade na sua vida por algum tempo! Quando fiz faculdade, eu me encontrava com meu orientador uma vez por semana e construía o trabalho nos finais de semana, era o tempo que eu tinha. Abri mão dos finais de semana, mas consegui conciliar com trabalho, faculdade, namoro, trabalho na igreja e alguns poucos eventos sociais (aqueles que eu queria muuuuito ir, que não dava mesmo para faltar). Quando fiz a primeira pós, estava num emprego novo, estava noiva organizando meu casamento, envolvida num projeto de trabalho, resumindo, sem tempo! Então, a solução que encontrei foi construir o trabalho nas poucas horas disponíveis do final de semana e desta vez abri mão dos feriados, recessos e parte de minhas férias. Isso me rendeu algumas críticas, mas, fiz uma escolha e por ela precisei fazer renúncias. Sou a favor de sacrifícios por prazos determinados em prol de um objetivo. Entreguei dois dias antes do prazo final, ufa!

    3 – Planejamento

    Feita a contagem regressiva: prazo total e quantas horas por dia/semana, você tem, monte seu cronograma, definindo etapas principais como: escolher tema e título, encontrar um orientador, separar material de pesquisa, fazer pesquisa, digitar trabalho… isso vai variar de acordo com sua realidade, o tipo de seu trabalho, exigências de seu orientador e ou instituição mas é importantíssimo que você crie um cronograma, pois ele vai ajudar muito. Claro que não vai sair tudo exatamente como você planejou, mas, se algo sair do controle, com o cronograma em mãos fica mais fácil reencontrar o norte de onde você está e para onde está indo.

    4 – Conte com imprevistos

    Essa dica poderia estar contida na dica anterior, de planejamento, mas foi proposital destacá-la por experiência própria. Claro que quando falamos de planejamento é preciso deixar uma margem de segurança para contar com os imprevistos e sugiro que você coloque essa margem no seu cronograma e não deixe para entregar no último dia, no último minuto do segundo tempo. Na pós que estou terminado, tivemos seis meses para fazermos a monografia, estava tudo sobre controle mas fiquei doente e meu cronograma saiu dos eixos por algumas semanas. Graças à Deus, assim que melhorei um pouco, me baseei no cronograma para saber quais etapas estavam atrasadas e dei uma acelerada para recuperar o tempo perdido. Essa “acelerada” para uma pessoa bem atarefada implicou em deixar algumas tarefas não tão importantes um pouco de lado e falar alguns “nãos”, ou seja, priorizei a monografia mais do que havia planejado para recuperar o prejuízo do imprevisto não incluído na margem de segurança. Lembre-se que tudo pode demorar mais que o tempo previsto.

    5 – Organização

    Organize-se para começar uma nova etapa em sua vida: a construção do seu TCC! A organização começa nos seus pensamentos, pense que essa nova etapa vai exigir de você dedicação, força de vontade e entusiasmo e que é um trampolim para você atingir um objetivo final e concluir seu curso! Pense e organize seu ambiente de trabalho, mesa e cadeira, computador, internet, livros, impressora, caderno para anotações, cronograma em local visível, enfim: pense em todos os recursos que você vai precisar e certifique-se que estejam em perfeito estado. Nada pior do que desenvolver um trabalho num local bagunçado, desarrumado ou com recursos “capengas” como computador que trava, internet lenta, cadeira desconfortável, impressora sem tinta/cartucho, o livro que você precisa não está em mãos… tudo isso atrasa o trabalho, desregula o cronograma e gera stress desnecessário. Aqui também conte com imprevistos como uma queda de energia ou queda de internet. Organize seu tempo, seus horários e sua agenda. Lembre-se que você vai precisar marcar encontros com seu orientador, devolver os livros da biblioteca no prazo e até participar daquela palestra sobre “Normas da ABNT”, sem falar que você não morreu, então tem outras tarefas e compromissos pessoais que precisam ser realizados.

    6 – Disciplina

    Você se preparou psicologicamente, se planejou, se organizou, comprou até uma agenda e pregou um cronograma impecável na parede. Agora o que pega é ter compromisso com você mesmo, com aquilo que é prioridade para você por prazo determinado nessa nova etapa de sua vida. Policie-se para cumprir os horários que estabeleceu, se puder flexibilizar algum horário para fazer outra coisa que seja importante, ok. Se não puder, saiba dizer “não”, e isso não é fácil… só quem já passou pelo que você está passando, sabe o que é desenvolver uma monografia vai ter empatia por você, do contrário, muitas pessoas podem não entender porque você disse “não” a uma saída para tomar sorvete, porque você “não” foi no churrasco na casa da sua tia, porque você preferiu ficar “estudando” no feriado ao invés de ir passear com os amigos… e podem até te criticar, como já aconteceu comigo, mas paciência! E disciplina!

    7 – Bloco de tempo e pausa

    Essa dica é boa para você aproveitar seu tempo sem prejudicar a qualidade do seu trabalho e sua produtividade. “Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Páre um pouquinho, descanse um pouquinho. Trabalhe, trabalhe, trabalhe.” Vamos combinar que ninguém é de ferro, no início você pode até estar empolgado e ficar horas e horas enclausurado trabalhando na sua mono. Mas a empolgação passa, o cansaço chega e tem horas que não dá, não rende, não rola… você não está inspirado. Aí você tem que parar, dar uma voltinha, lavar o rosto ou fazer outra coisa e voltar o trabalho. Minha dica aqui é se respeitar, é ter disciplina sim mas com equilíbrio: trabalhar horas e horas sem parar só vai  fazer odiar a ideia de ter que pegar no trabalho de novo depois que você parar. E vai fazer você querer fazer uma pausa maior que a necessária para respirar, espairecer e retomar o trabalho. Agora, essa dica só é possível se você cumprir as seis anteriores, porque se você estiver enrolado e tiver que fazer “para ontem” o ditado “a pressa é a inimiga da perfeição” cabe perfeitamente aqui, não dá para trabalhar com bloco de tempo e pausa não, meu amigo: é virar noite acordado, ficar louco, contar com a sorte, morcegar no trabalho e futuramente fazer medo no calouros falando da ” temível monstografia “!

    8 – Salve o arquivo

    Salve, salve, salve e lembre-se do que o Senhor nos ensinou: só Jesus salva! Não estou brincando, estou falando muito sério. Salve o arquivo em vários lugares no seu computador, salve no pen drive, no e-mail, no celular, no tablet. Salve o tempo todo enquanto estiver digitando, parou para respirar, salve o arquivo! O comando é Ctrl+B, se você não sabia. Quantos colegas de curso e quantos alunos já vi chorando porque perderam o trabalho. Aqui entra a dica do bloco de tempo também, pois quem chora sempre diz: “eu fiquei o dia todo digitando esse trabalho e perdi!” Ninguém chora dizendo: “eu digitei durante vinte minutos e perdi!”. Portanto se você vai trabalhar com bloco de tempo ou se está enrolado demais e vai ficar digitando por um longo período, não importa: salveeeeeee! Se der um pique de energia ou um problema no computador, você só vai perder a parte que digitou depois do seu último Ctrl+B. E cuidado para não se confundir com os arquivos, escolha trabalhar sempre num mesmo local, na área de trabalho do computador, por exemplo, e ao final do bloco de tempo fazer as outras cópias de segurança.

    9 – Revisão e conferência

    Lembre-se sempre de revisar seu trabalho e de conferir se está tudo ok. Uma dica é toda vez que você for retomar seu trabalho para um novo bloco de tempo, aproveite para reler seu trabalho, assim você retoma os pensamentos além de, estando mais descansado, pode notar erros que não tinha percebido e corrigi-los. A revisão é responsabilidade sua, não do orientador. Revise sempre, se possível à cada bloco de tempo ou a cada etapa terminada, não deixe para revisar só no final pois são muitos detalhes e creia, que cada vez que você revisar, vai encontrar algo que precisa ou pode ser melhorado. Revise texto, revise formatação e seus detalhes. Confira se abriu o arquivo atualizado, se já inseriu as observações de seu orientador, confira tudo. Confira se usou corretamente as normas da ABNT, se as citações estão corretas, se colocou o nome de todos os livros que usou, se o sumário foi atualizado, enfim: confira tudo! De vez em quando (naqueles momentos em que não estiver tão inspirado, sabe…) use a ferramenta de revisão de texto do word Revisão/Ortografia e Gramática, mas cuidado porque ele também erra, tá? Volto a dizer que a revisão é responsabilidade sua, não da ferramenta do word. Ao final do trabalho use novamente a ferramenta do word, confira novamente o sumário, e faça uma conferência geral sem pressa.

    10 – Amor

    A última dica, pode parecer clichê, mas de coração, é o que digo para meus alunos: construa seu trabalho monográfico com amor! No sentido de trabalhar com carinho, com dedicação, com capricho pensando que é algo único, não vai ter outro igual no mundo, é seu, você que criou, você que produziu, como uma criança que faz um desenho e se orgulha mostrando: “foi eu que fiz, fiz para você!” E aí a gente que é adulto se derrete por aqueles rabiscos que deveriam vir com legenda! A gente se derrete porque sabe que foi feito com amor! A gente que é professor, orientador, membro da banca examinadora, sabe muito bem quando o TCC foi feito com amor ou quando foi feito empurrado. Quem faz empurrado, faz com o peso da obrigação “tenho que fazer” , faz por fazer e aí sai uma porcaria, literalmente uma monstografia. Uma frase que ouvi do padre Zezinho e que penso que cabe bem aqui é a seguinte: A cruz é pesada para quem a arrasta, mas não para quem a abraça! E é isso, ame sua “cruz”, ame seu TCC: abrace-o e não o arraste-o!

    Espero ter ajudado, me conte aqui nos comentários!

    Vai dar tudo certo, boa sorte para você! Ou melhor, bom trabalho para você!

    Até mais!

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    2 Comentários

    1. Os anos de graduação são os mais memoráveis de minha vida.

      Até hoje lembro com um sorriso no rosto, principalmente a fase do tcc.

      Terminei a graduação ano passado e esse método de blocos me ajudou bastante. Por isso esse meu site fala sobre isso pra ajudar a galerinha que está em apuros com o tcc

      1. Anna Carolline Anna Carolline says:

        Que legal, Paulo! Obrigada pela contribuição, vou passar no seu site!

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