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  • Cuidado com a expressão: “Estou pagando!”

     

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    Se você é aluno de alguma instituição particular, gostaria de convidá-lo a uma reflexão. Atualmente sou professora de uma escola que oferece cursos particulares, ou seja, cursos pagos e tem uma expressão que vira e mexe é dita em sala de aula e que confesso que me incomoda um pouco. É o tal do “estou pagando” e por isso resolvi escrever este post, pois sei que muitos leitores são alunos de escolas e faculdades particulares. Este post tem como objetivo refletir sobre o cuidado de dizermos (porque eu também sou aluna) a expressão “eu estou pagando”. Toda vez que ouço essa frase me recordo da Lady Kate, personagem interpretada por Catiusa, que fez sucesso até o ano de 2014 no programa humorístico Zorra Total da Rede Globo. Apesar de seu bordão “tô pagano” ter feito o Brasil dar muitas risadas, Lady Kate nos leva a analisar sobre seu comportamento cômico, mas com fundamento trágico: é uma mulher mal educada que não sabe se comunicar e, quando fica zangada, grita, faz escândalo e diz para todos ouvirem que “está pagando”.

    Infelizmente tem muitas pessoas, homens e mulheres por aí, que assim como a Lady Kate vivem com a expressão “eu estou pagando” na ponta da língua, mas não é para fazer rir, pelo contrário.

    Eu fico tentando entender qual a necessidade de alguém dizer que está pagando algo dentro de um sistema capitalista. Nós pagamos para nascer, pagamos para morrer e pagamos para viver. Como clientes, pagamos por produtos ou por serviços. Pagamos por vários produtos e serviços ao longo do dia: pelo pão da padaria, pela passagem do ônibus, pelo curso que escolhemos fazer, pela a água e pela luz que consumimos. Mesmo quando utilizamos um serviço público, como um atendimento médico pelo SUS por exemplo, este serviço não é gratuito, é fruto do imposto que pagamos. Imagine só se a gente ficasse o tempo todo dizendo que está pagando!

    Quando pagamos por um serviço, contratamos um serviço, lemos e assinamos o contrato onde fica claro por qual serviço estamos pagando. E como clientes temos direito sim, de reclamar caso haja alguma insatisfação. Mas as pessoas se esquecem que é reclamar do jeito certo, na hora certa e para a pessoa certa. Não precisa de ser deselegante como a personagem Lady Kate, gritar e esbravejar, pois isso não resolve nada. As pessoas também se esquecem que, mesmo pagando, tem direitos e tem deveres.

    Para ser mais específica, na sala de aula já me deparei com alunos que, vez ou outra, soltam o bordão da Lady Kate: “tô pagando”. Acho que todos os professores que dão aula em alguma instituição particular sabem do que estou dizendo. É mais ou menos assim:

    • Dá para ligar o ventilador, porque eu estou pagando?!
    • Vou fechar a cortina, porque eu estou pagando!
    • Eu quero copiar a matéria, porque eu estou pagando!
    • Você não pode marcar trabalho neste dia, porque eu vou faltar de aula e estou pagando!
    • Você vai repetir a prova para mim, porque eu estou pagando!

    E por aí vai… E eu questiono, se não ficaria melhor assim:

    • Posso ligar o ventilador, porque está fazendo muito calor?!
    • Vou fechar a cortina, porque está dando reflexo no quadro, pode ser?!
    • Posso copiar a matéria,porque pretendo estudar essas anotações futuramente?!

    Perceberam que a expressão é desnecessária nesses casos? E quanto aos casos seguintes, não dá para reescrever, então vamos esclarecer:

    • Você não pode marcar prova neste dia, porque eu vou faltar de aula e estou pagando!
    • Você vai repetir a prova para mim, porque eu estou pagando!

    Marcar trabalhos e provas é algo que está no Regimento Escolar e nos demais documentos escolares como a Proposta Pedagógica e o Manual do Aluno. É dever do aluno frequentar as aulas e participar das atividades propostas. Caso o aluno perca prova, ele tem direito a segunda chamada caso apresente declaração de trabalho ou atestado médico. Entenderam onde eu queria chegar? Independente de estar pagando todo cliente/aluno tem direitos e deveres e tudo tem limites e regras.

    Para finalizarmos esse assunto, gostaria que, se você leitor é aluno (quem sabe meu aluno), estuda ou faz algum curso particular, abolisse esse bordão infeliz da Lady Kate de sua vida. Infeliz sim, desculpe o termo, mas pessoas felizes não ficam reclamando e murmurando, alunos felizes que pagam um curso priorizam o estudar, o aprender, o realizar seus sonhos e enxergam o valor pago como investimento.

    O aluno que paga seu curso com gosto, mesmo que com sacrifício, sabe que está investindo nele mesmo, em seu futuro profissional, em sua carreira de sucesso.

    O aluno que realmente dá valor ao dinheiro que investe no curso, não tem tempo para dizer ” que está pagando”, ele está sempre ocupado prestando atenção na aula e  estudando.

    Acho que o post ficou com um tom de desabafo, e de fato é, mas eu precisava de falar, espero que seja útil para quem paga pelo seu curso e que pode estar usando essa expressão até sem perceber e sem saber que isso chateia o professor…

    Até mais!

     

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