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  • História para acordar: A fábula da cigarra e da formiga

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    Há histórias que nos ajudam a dormir, há histórias que nos ajudam a acordar!

    Chegamos ao final de mais um assunto aqui no blog, e não encontrei outra fábula melhor sobre planejamento do que a da cigarra e da formiga. Apesar da fábula ser muito conhecida e dar margem para várias interpretações, o objetivo aqui é refletir sobre a ótica do planejamento, levando em consideração que a formiga planejou-se para a chegada do inverno. Que fique claro que não tenho nada contra a cigarra!  Reconto abaixo a fábula de Esopo, adaptada por Monteiro Lobato:

    Havia uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé de um formigueiro. Só parava quando estava cansadinha; e seu divertimento então era observar as formigas na eterna faina* de abastecer as tulhas*.

    Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas. Os animais todos, arrepiados, passam o dia cochilando nas tocas.

    A pobre cigarra sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros debilitou-se socorrer-se de alguém.

    Manquitolando*, com uma asa a arrastar lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu tique, tique, tique.

    Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina*.

    _ Que quer?- perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.

    _Venho em busca de agasalho. O bom tempo cessa e eu…A formiga olhou-a de alto a baixo.

    _E o que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?

    A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois de um acesso de tosse:

    _ Eu cantava, bem sabe…

    -Ah!… exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nesta árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas*?

    _ Isso mesmo, era eu…

    _ Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que a sua cantoria proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.

    A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a  alegre cantora dos dias de Sol.

    faina – acúmulo de serviços

    tulhas – celeiros 

    manquitolando – mancando

    paina – fibra sedosa

    LOBATO, Monteiro; Fábulas, São Paulo, Editora Brasiliense, 1966

    Que possamos refletir sobre a importância do planejamento no sentido de previsão. Sigamos o exemplo da formiga que planejou, trabalhou e ainda foi generosa com a cigarra. Lembre-se: há pessoas que são como as formigas, há pessoas que são como as cigarras e há pessoas que hora são como cigarras, hora são como as formigas. As pessoas são diferentes e mesmo sendo diferentes todas podem planejar!

    Até mais!

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